O maior jogador de xadrez de todos os tempos! Capítulo 1
Nosso companheiro Ruy iniciou interessante intercambio de idéias ao
divulgar a todos do CXV a enquete levantada por um determinado site sobre quem
seria o maior jogador de xadrez de todos os tempos? O resultado divulgado por
ele em e-mail enviado ao grupo em meados de abril/2005 dava o resultado da
enquete: 1- Tal 31% 2- Kasparov 17% 3- Fischer 13% 4- Capablanca 9% 5- Alekhine
7% 6- Karpov 5% 7- Morphy 5% 8- Botvinnik 5% 9- Lasker 4% 10- Steinitz 4%, desde
já obviamente surgiram e hão de surgir outras e novas opiniões e novos porquês e
sobre quem é quem. Antes de entrar no polêmico assunto quando então eu exponho
minha opinião e depois dou as razões que me
levaram a ela , eu destaco que o somatório da porcentagem indicada na pesquisa
divulgada inicialmente atinge 100% o que nos leva a crer que ninguém mais foi
indicado, embora saibamos que o universo enxadrístico de jogadores é imenso
através dos tempos. Mas, isto já era combustível suficiente para que pudéssemos
iniciar o educativo debate, coisas permitidas numa sociedade livre para dar
opiniões. Então o que vou expor a seguir será exclusivamente a minha opinião e
suas razões, tudo passível de ser contestado livremente por quem o queira, de
preferência após o artigo final ou durante os 4 artigos em que dividi o assunto,
sem problemas. Minha opinião foi: 1- Fischer 2- Capablanca 3- Miguel Tal 4-
Karpov 5- Morphy 6- Keres 7- David Bronstein 8- Botvinnik 9- Eliskases 10-Kasparov.
É verdade que não havia para mim um décimo lugar inicialmente, pois em décimo
viria a mulambada liderada na frente por Kasparov, porém, para que possamos
reconhecer que mesmo o décimo ou décimo segundo até o milésimo e muito mais para
trás merecem todo nosso respeito como jogadores fortíssimos de xadrez, decido
reconhecer Kasparov entre os 10 primeiros pelo menos. Quando comecei a gerar o
artigo notei que a exposição do mesmo alcançava o tamanho de algo muito maior
que uma mensagem, que esta mensagem não poderia ser assimilada pelo volume de
seu conteúdo, assim, decidi dividir tudo por pelo menos 4 partes e distribui já
inicialmente pela mais polêmica e última disputa "real" pelo título mundial,
pois desde muito no mundo dos Grandes Mestres é considerado como o último match
sério pela disputa foi em 1990 quando pela última vez se enfrentaram Karpov e
Kasparov em Nova York (12 partidas) e Lyon -França (12 partidas). No segundo
artigo falaremos sobre o maior jogador de todos os tempos: Fischer. Capablanca
também merece um artigo inteiro. No último e quarto artigo falaremos sobre Tal,
Morphy, Keres, Bronstein, Botvinnik e Eliskases embora este também já mereça um
livro inteiro. Mas quanto a isso tudo bem, estou cuidando do livro a mais ou
menos 1 ano (Eliskases , o Campeão Imigrante). Dito tudo isto iniciamos então:
Karpov x Kasparov
Os jogos KK começaram em 1984. Karpov havia sido desde que Bobby Fischer
desaparecera de cena em 1975 o mais ativo dos campeões com os mais
impressionantes recordes de torneio jamais vistos.
Garry Kasparov tinha 21 anos e era o herdeiro" inquestionável". Ele era um
orgulhoso e muito jovem membro do Partido Comunista, se movendo com toda a
pressa. Karpov achou que o mais novo devia esperar. A simpatia pública estava
maciçamente por trás de Kasparov como desafiante e prodígio. A imagem sem brilho
de Karpov, combinado com o fato de ser retratado como um amigo de Brezhnev,
apenas aumentava a popularidade de Kasparov. Esses fatores emocionais tornaram
fácil não levar em conta o fato de que, muito embora Kasparov houvesse valsado
majestosamente pelo ciclo de qualificação, Karpov permanecia relativamente sem
ter sido posto a prova, nunca havia tido de gastar todo o cartucho. O começo do
jogo de 1984 foi uma espantosa amostra da verdadeira força de Karpov. Kasparov
não chegou a ver o que o atingiu. Depois de 9 jogos ele saiu arrasado pelo
devastador escore de 4 derrotas e 5 empates. Como sempre nos jogos valendo
títulos, e mais ainda nos bons velhos tempos da repressiva e fechada URSS, o
jogo foi taxado de marmelada por alguns Ocidentais chateados, mais notadamente
Harry Golombek, do London Times, que viu pressão política e ameaças como a única
explicação para o resultado ridículo. A única chance de Kasparov era a de tentar
cansar seu oponente. Esse jogo era de seis vitórias e empates não contavam. Como
que para mostrar que ele não havia dado o melhor de si mesmo, Kasparov se
preparou para cansar o jogador
mais velho. Muito embora com apenas 33 anos, Karpov tinha um histórico de
fragilidade física, mas isso não deveria ser problema após uns poucos jogos. O
que o prejudicou foi sua obsessão em vencer de 6-0. Aquele resultado
aleijaria o ego de seu pior rival e estabeleceria Karpov por muito tempo como um
dos maiores jamais visto, apagando a mancha de ser campeão por desistência (no
caso , Fischer).
A atitude de "segurança em primeiro lugar" transformou o jogo em um assunto
doloroso. No Vigésimo sétimo jogo - após um recorde de 17 empates - Karpov
chegou perto, fazendo 5-0. Kasparov destruiu o sonho de Karpov em ganhar por 6-0
com a primeira vitória de sua carreira sobre Karpov no jogo 32. Mais 14 empates
aconteceram e aí 2 vitórias de Kasparov. O jogo foi subitamente anulado por
Florêncio Campomanes, o presidente da FIDE - federação mundial de xadrez,
devido a instigação da, agora, exasperada Federação Soviética de Xadrez, que
estava indo a falência e sendo envergonhada pelo duelo sem fim. Kasparov disse
que Karpov havia sido ajudado por amigos em altas posições. O jogo terminou em
controvérsia. E assim começaram os comentários rebeldes e sem limites de
Kasparov, em uma antecipação da glasnost. Karpov também insistiu que queria
continuar, não querendo perder sua liderança com a dissolução do torneio. Karpov
não é adepto desse tipo de coisa; seu pedido foi amplamente ignorado. Esta foi
sem dúvida a primeira mancha deixada nesta disputa pelo título pois muitos
julgam que Kasparov foi quem realmente influenciou tal paralisação. Afinal,
para os enxadristas de modo geral, interrompido por culpa de quem? Mas, com o
placar final de 5-3 para Karpov. Portanto uma vitória.
Depois dos encontros em Moscou 1985 e Londres/Leningrado 1986, Sevilha em 1987
foi o mais dramático de uma selvagem e turbulenta série. Começou com a
publicação da biografia de Kasparov "Criança da Mudança", que imortalizava em
livro suas várias acusações e brigas contra a FIDE e os encarregados do xadrez
soviético. A natureza cáustica do tomo foi muito eficiente em provocar uma
lenta, mas crescente onde na popularidade de Karpov, que ainda continua.
Kasparov havia claramente gasto tempo demais em projetos estranhos ao xadrez - o
livro, a Associação dos Grandes Mestres (AGM) que ele havia fundado, e projetos
financeiros (ele aparecia em comerciais de TV durante o jogo) - e não o
suficiente em xadrez. Sua aparência estava ruim e ele não conseguia se
concentrar. Ele até mesmo esqueceu de marcar seu relógio em um problema de tempo
do segundo jogo. Em um torneio de fim de semana talvez - mas no campeonato
mundial, em um torneio pelo título?
A junção de seus estilos se tornando mais aparente. Desde o primeiro torneio as
habilidades técnicas e defensivas de Kasparov se adaptaram para tornar a
conquista de Karpov possível. Agora Karpov se atirava em selvagens aventuras
táticas e muitas vezes emergia vitorioso. Em ocasiões eles pareciam dispostos a
jogar apenas para confundir o outro, tendo exaurido maneiras mais racionais de
testar a habilidade do outro.
O fim era clássico. Um à frente com a última metade por jogar - graças a um erro
gritante por parte de Karpov no jogo 11 - Kasparov tentou chegar ao final com
empates. Karpov ganhou com as pretas no jogo 16 e aí colocou o torneio nas
primeiras páginas com uma brilhante jogada no vigésimo terceiro jogo. Kasparov,
que ainda não havia tido um descanso dos torneios de título, agora teria pela
frente 3 anos ininterruptos de domínio de Karpov - a não ser que ele conseguisse
vencer o último jogo, o de número 24.
A única vez em que um feito como esse acontecera havia sido no décimo e último
jogo do Torneio Lasker- Schlecter de 1910. Já no match de Botvinnik - Bronstein
- Moscou - 1951, Botvinnik havia se salvado da derrota no vigésimo terceiro
jogo, empatando a partida do jogo 24 e salvando seu título pela regra do
"campeão mantém o título pelo empate no match", igual ao que vigorava neste
match de Sevilha K-K.
Em Sevilha, Karpov necessitava apenas empatar o último jogo para reconquistar o
campeonato. Em uma das mais excitantes combinações de xadrez bruto e uma nervosa
mistura de tempo, Kasparov conseguiu arrancar um empate de 12-12 e ganhar. Um
final inacreditável para um jogo sensacional.
Se você perdeu a conta, esses jogadores adentraram o último torneio de 1990
tendo jogado um contra o outro incríveis 120 jogos pelo título. Kasparov
liderava por um único ponto nesses encontros, +17 - 16 = 87. Esse jogo também
era uma metáfora política, muito embora agora Kasparov houvesse rejeitado
Gorbachev e a cada vez maior decadência da URSS em favor de uma mais radical
política de independência e mudanças mais rápidas. Durante o match de 1990,
conforme havia dito, a segunda mancha ou dúvida nunca esclarecida até hoje.
Vejamos a narrativa do Mestre Internacional Jonathan Tisdall que cobria o evento
para a Reuters: "Jogo Dezesseis, 1 de Dezembro 1990 - Numerologistas estão
trabalhando antes do jogo, tentando determinar se esse era um dos bons números
de Kasparov. Não é ruim, mas Karpov levou da última vez, vencendo com as pretas
em Sevilha. Dois outros dezesseis eram memoráveis para o campeão, entretanto, sua vitória retumbante com as pretas em 1985 e a estonteante Ruy Lopez em Leningrado, um ano depois. Kasparov surpreende aos que estão reunidos fora do
palco ao repetir a Escocesa, apesar de sua performance não convincente no jogo
quatorze. Karpov varia cedo - talvez só por uma questão de princípio - e parece
estar conseguindo uma posição razoável quando faz duas jogadas incompreensíveis
e consegue, ao contrário, um desastre. Ao invés de aceitar a má posição, Karpov
toma a não característica e drástica medida de sacrificar um peão a procura de
um contra-ataque. Poucas e precisas jogadas e a conquista é clara: Kasparov tem
o par de Bispos e uma melhor posição para "o" peão extra. A posição de Karpov,
respeitável há instantes atrás, pode seguramente ser julgada perdida. O que se
segue é impressionante. Karpov finca os pés, e apesar de estar em
posição pior no tabuleiro e no relógio, simplesmente se recusa a desistir. Cada
jogada ou apresenta um problema ou melhora sua posição. Ele nunca piora as
coisas. Kasparov estraga as coisas um pouco na troca de tempo e ao invés de um
adiamento com uma vitória trivial, uma difícil tarefa técnica o aguarda. Ele
deixa o prédio dizendo a TF1 (televisão francesa que cobria direto o evento)
que não está mais certo do desenrolar do jogo. É claro que ele estava vencendo
completamente antes... O campeão fica em silêncio e parte.
Uma longa noite de análise não consegue levar a uma conclusão definitiva, mas a
tarefa defensiva de Karpov permanece sombria. Kasparov gradualmente faz
progressos. Ele começa a andar pelo palco à medida que a adrenalina corre e a
matança se aproxima.Karpov entrega seu peão extra e se deixa ficar sentado,
confuso. Kasparov faz umas poucas jogadas rápidas. Daí começamos a ver que
Karpov não havia estado em pânico, ele havia erguido um forte paredão defensivo
que parecia suspeitamente com uma fortaleza. Kasparov parecia fatigado e
desorientado. Ele se dirige a um segundo adiamento, e perde tempo de sua
contagem, de maneira a selar. Portisch e Henley (analistas de Karpov) tropeçam
para dentro da sala perto do fim do dia de jogo - cerca de 11:00 da noite. Eles
admitem terem levantado um pouco depois do final da noite de trabalho e observam
a posição com curiosidade. Eles não têm certeza de que a posição seja uma
fortaleza, mas é uma idéia defensiva que foi preparada mais cedo, de tarde -
imediatamente
antes de reassumirem o jogo. Kasparov utiliza seu segundo descanso para adiar o
jogo seguinte (17), o que significa que a terceira sessão (do jogo 16) dessa
verdadeira maratona, seu mais longo encontro, seria completado sem interrupção.
Quando a competição se reinicia, somos distraídos do jogo graças a uma explosão
do antigo campeão mundial Boris Spassky. Aparentemente convencido de que a
fortaleza Karpov havia sido rompida por meios mecânicos, Spassky anuncia que
havia chegado à hora de modificar as regras e acabar com os adiamentos - um
computador havia resolvido o problema de Kasparov!
A acusação é comentada por vários membros da mídia e se tornou um tema
recorrente até o fim do torneio. Bjarke Kristensen, em contato constante com os
EUA, graças ao USA Today Sports Center, conhece o método vencedor, que recebeu
de Max Dlugy. Ele também ouviu que o processo foi comprovado como sendo vencedor
pelo Pensamento Profundo (Deep Blue - IBM) e isso aumenta mais o calor da
controvérsia. Usando o livro de telefone de Bjarke, eu consigo descobrir o
seguinte: primeiro uma ligação pra Murray Campbell, que faz parte da equipe do
Pensamento Profundo, para confirmar a extensão de seu envolvimento. Tenho de
deixar recado na secretária eletrônica.
Depois uma ligação para Max Dlugy. Enquanto estou obtendo a história de Max, uma
mensagem chega para Bjarke dizendo que Campbell nega qualquer tipo de influência
do Pensamento Profundo na análise feita no adiamento do jogo 16. Dlugy me dá uma
seqüência de eventos e deixa as limitações da máquina clara.
Max explica que ele acreditava ter visto um plano vencedor e até mesmo anunciou
sua idéia básica na USAT. Análises posteriores o convenceram de que estava
correto. Após muitas pessoas lhe perguntarem o quão seguro ele estava, ele
decidiu perguntar ao Pensamento Profundo sobre a posição. A máquina não teve
capacidade de resolver a posição.Leve em consideração que os grandes finais de
jogo das bases de dados são limitados a exames de posições com cinco peças ou
menos - isso inclui Reis.Computadores devem usar métodos menos precisos para
analisar algo mais complexo. Apenas ao dar ao Pensamento Profundo mais e mais de
suas soluções foi que Dlugy conseguiu, eventualmente, uma resposta. A máquina
concordou com as descobertas de Max, mas só após lhe ter sido dada a maior parte
das soluções. Como observado por Max, seria possível conseguir que o Pensamento
Profundo fizesse um bom trabalho no final, mas teria de ser (re-) programado
para aquelas posições em particular.Teria que ser dito a ele quais posições
estavam vencendo e a quais posições dar um valor alto como passo essencial no
caminho para as posições vencedoras definidas. Esse método requereria a mão
humana pra guiá-lo no processo.Com efeito, a solução básica teria de ser
resolvida antes que o computador pudesse ser levado a resolver o problema.
Portanto, Kasparov e seus rapazes sem dúvida fizeram tudo sózinhos. Sem faltar
ao respeito com Max, se ele resolveu não há nada de sinistro em Kasparov fazer o
mesmo. Portanto o ataque de Spassky não era justo além de prematuro, embora
quase certamente justificado em um futuro próximo.Não há razão para ter
suspeitas da negativa de Campbell- embora, por alguma razão, negativas devem ser
encaradas como admissões de culpa nesses dias de cinismo (obs. minha, Pedro: o
livro foi originalmente lançado em junho de 1991 em língua inglesa, portanto 6
meses após o término do match , detalhe importante dentro da narrativa). Eu
cheguei a perguntar a Max, em uma tentativa de mexer e clarear as coisas um
pouco, se ele havia estado em contato com Kasparov com relação ao jogo 16.
Max confessou que haviam discutido via Lev Alburt, mas que Kasparov havia
resolvido o problema mais rápido e com maior profundidade. De fato, o descanso
havia sido pra sintonizar a análise a um tal grau que a regra da jogada 50 não
iria se tornar um fator.Para afinal colocar a controvérsia do computador para
descansar, deve ser lembrado que foi Karpov quem alugou a incrível Fidelity,
enquanto que Kasparov tem apenas PCs para rodar seu Chessbase.
Almas mais calmas como a do recém titulado GM William Watson nem ao menos
levantaram a sobrancelha sobre Kasparov abrir um buraco na fortaleza. É um
processo vitorioso bem direto se você começar a pensar a respeito. Spassky
disse, de fato, algumas coisas inspiradas uma vez que se acalmou. Ele elogiou a
resistência de Karpov nesse jogo, virtualmente perdido na abertura, como "um
tipo de milagre" e disse que tal jogo poderia servir como inspiração. No que
dizia respeito a Spassky, Karpov era o vencedor moral dessa amarga batalha.
Na verdade , ninguém está pronto para descartar Karpov, muito embora ele precise
de duas vitórias nos oito jogos restantes. O escore: Garry Kasparov com uma à
frente" - fim da narrativa de Jonathan Tisdall sobre a décima sexta partida.
Nos comentários de análise sobre a partida escreveu Yasser Seirawan como
introdução: "Uma maratona.O jogo levou 3 dias, cento e duas jogadas.Karpov
perdeu uma posição após 15 jogadas e a avaliação objetiva nunca mudou depois
disso, embora às vezes ele parecesse perto de empatar.Pobre camarada, resistir à
derrota por 87 jogadas antes de sucumbir. Sempre que o jogo parecia estar se
perdendo em direção do empate, Kasparov sempre aparecia com uma jogada brilhante
para colocá-lo de volta nos trilhos". Este match terminou com o seguinte
resultado: Kasparov + 4 - 3 = 17. Esta décima sexta partida poderia ter mudado o
rumo das coisas. Também na primeira partida Karpov esteve com posição ganhadora
conforme demonstram as análises abaixo:121) Karpov,A (2730) - Kasparov,G
(2800) [E81]
35 Campeonato del Mundo Lyon/New York (1), 08.10.1990
1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Ag7 4.e4 d6 5.f3
Diagrama

[5.Cf3 0-0 6.Ae2 e5 7.0-0 Cc6] 5...0-0
6.Ae3 c6 [6...Cc6 7.Dd2 a6 8.Cge2 Tb8 9.Cc1 e5 10.Cb3 exd4 11.Cxd4
Cxd4 12.Axd4 Ae6 13.Ae2 c6=] 7.Ad3 a6!? Variante Robert Byrne [7...e5 8.d5 b5!?] 8.Cge2 Diagrama

[8.a4 a5 9.Cge2 Ca6 10.Tc1 Cb4 11.Ab1=] 8...b5 9.0-0 Cbd7 10.Tc1 e5
[RR 10...Ab7 11.Dd2 e5 12.d5 bxc4 13.Axc4 Cb6 14.Ab3 cxd5 15.exd5
Tc8 16.Ag5 De8 17.Ae3 Cc4 18.Axc4 Txc4 19.Cg3 Da8 20.Cge4 Cxd5 21.Cxd6 Cxe3
22.Dxe3 Td4 23.Cxb7 Dxb7 24.b3 Tfd8 25.Cb1 Jeyaraj, J-Wang Rui/Genting Highlands
1998/CBM 63 ext/1/2-1/2 (52)] 11.a3 Diagrama

[RR 11.b4 Ab7 12.d5 bxc4 13.Axc4 cxd5 14.Cxd5 Cxd5 15.Axd5 Axd5 16.Dxd5
Cf6 17.Dc4 d5 18.exd5 Dxd5 19.Tfd1 Db7 20.Td6 e4 21.Tb6 Dd5 22.fxe4 Dxe4 23.Dxe4
Cxe4 24.Ad4 Tfd8 25.Axg7 Rxg7 Levitt,J-Kochyev,A/Groningen 1990/CBM 22/1/2-1/2;
11.d5 bxc4 ( 11...cxd5 12.cxd5) 12.Axc4 (12.dxc6? cxd3
13.cxd7 dxe2 14.dxc8D exd1D-+ 15.Dxd8 (15.Dc4 Dxc1 16.Txc1) 15...Dxf1+ 16.Rxf1 Tfxd8) 12...Cb6! 13.Ab3 cxd5 14.exd5 (14.Cxd5 Cbxd5
15.Axd5?! Cxd5 16.Dxd5 Ae6 17.Dd1 d5 (17...Axa2 18.b3 Tb8 19.Tc3 d5
20.exd5 e4 21.Ad4 Dxd5 22.fxe4 Axd4+ 23.Dxd4 Dxd4+ 24.Cxd4 Tb4=) ) ; 11.b4
exd4 12.Cxd4 Ce5 13.cxb5 axb5 14.Ae2 Yasser Seirawan em "5 coroas"] 11...exd4
12.Cxd4 Ab7N Diagrama

[RR 12...Ce5 13.cxb5 cxb5 14.Rh1 Ab7 15.Tf2 d5 16.exd5 Cxd3 17.Dxd3 Cxd5
18.Cxd5 Dxd5 19.Td2 Tac8 20.Te1 Tfe8 21.Db1 Dh5 22.Dd1 Dh4 23.Af2 Dg5 24.Ce2
Tcd8 25.Ae3 Dh4 26.Txd8 Txd8 27.Dc1 Kalesis,N-Grivas,E/Corfu 1991/EXT 97/0-1
(32)] 13.cxb5 cxb5! 14.Te1! Diagrama

após pensar por 30 minutos, Karpov jogou este. [14.a4 b4 15.Ca2 a5
16.Cb5 Ce8 17.Tf2 Ce5 18.Ae2+/=] 14...Ce5 15.Af1 Te8 16.Af2 d5!?= 17.exd5
Cxd5 18.Cxd5 [18.Ce4 Cf4 19.Cc5 Dg5?! 20.g3!+/- (20.Cxb7
Ch3+-+)] 18...Dxd5 19.a4! Ah6?! [19...Cc6?! 20.Cxc6 Axc6
21.Txe8+ (21.Dxd5! Axd5 22.Txe8+ Txe8 23.axb5 axb5 24.b4+/-)
21...Txe8 22.Dxd5 Axd5 23.axb5 axb5 24.Axb5? ( 24.b4!+/- Tb8 (
24...Af8 25.Ac5 Tb8 26.Axf8 Rxf8 27.Tc5 Ac4 28.Axc4 bxc4 29.Txc4 Re7 30.Rf2+/-)
25.Tc5 Ac4 26.Axc4 bxc4 27.Txc4+/-) 24...Tb8 Seirawan; 19...Cc4 20.axb5 axb5
21.Cxb5 Dxd1 22.Texd1 Cxb2 23.Td7 Ac8 24.Td6 Ae6 De Firmian 25.Cc7 Ted8 26.Txe6
fxe6 27.Cxa8 Txa8 28.Tc6 Te8 fritz8] 20.Ta1 [ 20.Tc7!? Af4 21.Txb7
Dxb7 22.Te4? (22.g3! Ah6 23.f4 Cc4 24.Ag2+/=) 22...Ah6 23.De2 Db8
24.Ag3 Ag7-/+] 20...Cc4?? Diagrama

segundo Seirawan, esta seria uma jogada horrível. Especialmente depois de pensar
por cerca de 17 minutos. Tendo ido longe demais atrás de chances para ganhar, Kasparov deve em breve ser atropelado por suas próprias táticas. [20...b4! 21.Cb3! Cc4! 22.Axc4 Dxc4 23.Ca5 Dd5 24.Cxb7 Dxb7= Seirawan]
21.axb5+/- axb5 22.Txa8? [22.b3!] Diagrama

22...Txe1 a)22...Cd6 23.Txe8+ Txe8 24.Cxb5 Cxb5 25.Dxd5 Axd5 26.Axb5 Tc8
(a)26...Tb8 27.Ac4+/-) 27.b4 Tb8 28.Ta5!; b)22...Cd2
23.Txa8 Txa8 24.Axb5+/- Rf8 Seirawan (b)24...Af4 25.h3 Tc8 26.Aa4
fritz8) ; 23.Txa8+! Axa8 24.Dxe1 Cd6 25.Cxb5 Cxb5 26.De8+ Af8 27.Dxb5. As
brancas têm um peão "b"extra e uma vitória técnica.] 22...Txa8 23.Db3!
Diagrama

[23.Cxb5 Dxd1!! ( 23...Dxb5?! 24.b3 Ad5 25.Te5+/=) 24.Txd1
Cxb2 25.Tb1 Ag7 26.Ad4 Ca4 27.Axg7 Rxg7 28.Cc7 Ta7 29.Ta1 Ac6 30.Cb5 Tb7!]
23...Ac6 24.Ad3 [ 24.Cxc6 Dxc6 25.Dc2 Dd5 (25...Ta2
26.Dd3! Txb2? 27.Dd8+ Af8 28.Te8 Dd6 29.Axc4 Dxd8 30.Txd8 bxc4 31.Ac5+-)
26.b3 Ca3 (26...Cd2! 27.Td1 b4 28.Ac4 Dg5 29.h4 Df4= fritz8)
27.Dd3+/= Seirawan] 24...Cd6! Diagrama

25.Dxd5 Axd5 26.Cxb5 Cxb5 27.Axb5 Ag7 28.b4 Ac3 [28...Tb8? 29.Af1
(29.Aa6!+-) 29...Txb4?? 30.Te8+ Af8 31.Ac5] 29.Td1 [29.Tb1 Tb8 30.Ad3 Txb4=] 29...Ab3 30.Tb1 Aa2 Diagrama
 1/2-1/2.
Para encerrar este artigo, vamos a contribuição de nosso companheiro muito bem
informado Carlos Lopes em trocas de mensagens de muito bem informados
companheiros do Xadrez, mensagens estas que encerram preciosas opiniões sobre os
acontecimentos:
Carlos Lopes em 05/02/2005:
Escrevi esta
mensagem pela manhã. Na hora de enviar, deu uma ziquizira no computador e eu
perdi a mensagem. Mas é fácil reconstituir de memória. Aí vai:
Antes de tudo,
deixe-me repetir o que já te disse numa mensagem pessoal: achei estupendos
os teus e-mails sobre essa questão. Acrescenta várias coisas, examina
algumas sob ângulo um pouco diferente, em suma, são enriquecedorKes no
melhor sentido da palavra. Só tem um ponto, e não é uma discordância, que eu
gostaria de comentar.
Eu não li "Mosaico
Enxadrístico". Considerando que o autor é o Karpov, independente de quem o
ajudou a escrever, deve ser dupirú (às vezes não consigo evitar essas
expressões de 50 anos atrás). Um amigo, há uns tempos, me emprestou uma
tradução em inglês de "Batendo a Grunfeld". Nem me lembro se tem o nome de
outro autor lá, além do Karpov, o fato é que acho que só o Karpov poderia
ter escrito aquele livro, mesmo que ele tenha empregado um redator. É
a experiência dele, a vida dele que está lá, e é de extrema utilidade para
qualquer um - estou terminando no momento uma partida postal em que o meu
adversário escolheu a Grunfeld (uma defesa sobre a qual, apesar do Fischer,
a minha opinião é muito semelhante à do Karpov), e, coitado... ele
certamente não leu esse livro...
Em suma, o que estou
querendo dizer é que não existe problema em recorrer a um redator-ajudante,
desde que o objetivo seja expressar melhor para os leitores a essência do
que se quer transmitir. Coisa diferente é ter um ghost-writer (não importa
que o nome do fantasma esteja na capa do livro), isto é, um escriba de
aluguel para se auto-promover. Porque é esse o problema. No livro do
Kasparov (estou falando do primeiro volume, que foi o que eu li) não existe
nada de interessante sobre, por exemplo, Steinitz, que já não tivesse sido
dito antes - e de forma muito melhor. E o que há de supostamente novo, é
cheio de furos - embora este não seja o problema mais grave, o mais grave
mesmo é a pretensão de superioridade pra cima de um jogador, de um pensador
- coisa que Kasparov está muito longe de ser -, que fundou o xadrez moderno,
apenas isso.
E aqui há uma
questão realmente de fundo, isto é, básica: todos os grandes jogadores de
xadrez foram também grandes escritores. Para não falar das obras do Steinitz,
que são de difícil acesso para os leitores desta lista, devido à raridade de
suas edições e traduções, peguemos o Reti e seu "Os Grandes Mestres do
Tabuleiro". É um dos livros mais bem escritos da literatura mundial. Mesmo
aquele artigo sobre o gambito da dama que eu mandei aqui pra lista, se não
me falha a memória, para o Ivacir, é um texto notável. Peguemos o "Meu
Sistema", do Nimzowitsch. O homem mostra um manejo da dialética que poucos
conseguiram em qualquer campo do conhecimento humano. E coisa semelhante
pode ser dita do "Senso Comum em Xadrez", do Lasker, que, aliás, apesar de
matemático e filósofo, não se julgava um pensador em xadrez, dando essa
honra, muito justamente, a Steinitz. O mesmo pode ser dito das excepcionais
obras, inclusive literariamente falando, do Max Euwe, e até das conferências
radiofônicas que o Capablanca, que não era muito chegado a escrever, reuniu
em "Fundamentos do Xadrez" (li há tanto tempo que é possível que o título
não seja exatamente esse, mas se não é, pelo menos é bem parecido). Tarrasch
podia ser algo dogmático, mas alguns dos seus aforismas são uma obra-prima
de precisão, p.ex.: "o que importa numa troca não são as peças que são
trocadas, mas as que ficam no tabuleiro". É forçoso reconhecer, também, que
Fischer tinha, ou melhor, tem, esse talento. Além de seus comentários nas
"60 Partidas", há vários outros exemplos: seu artigo sobre o gambito do rei
("Um busto para o gambito do rei") mostra excepcionais dotes de escritor. E
olha que eu só estou falando daqueles que foram campeões mundiais ou
chegaram perto disso. O Pedro poderia acrescentar o Eliskazes nesta lista;
e, eu, o Pachman. Cada um de nós, certamente tem um nome para juntar.
No entanto, Kasparov
é uma nulidade nesse campo. Seu conhecido artigo sobre a importância da
defesa em xadrez é um monte de obviedades enfileiradas de forma canhestra.
Não sei se ele escreveu sozinho, mas se não, pior.
Por quê? A mim só
ocorre uma explicação: para ser um escritor razoável é preciso ter algum
interesse no leitor, ou seja, ter alguma vontade de transmitir alguma coisa
para o leitor, algo que ajude este, que enriqueça este. Em suma, é preciso
ter identificação com o leitor para escrever, ter alguma riqueza humana
dentro de si, numa palavra, é preciso ter uma dose de generosidade. O
sujeito que não consegue abrir mão de seu egocentrismo na hora de escrever é
um péssimo escritor, e até hoje não vi uma exceção sequer para esta regra.
Escrever é uma doação de si mesmo (e sem viadagem: essa doação aqui é coisa
de macho...), pois sempre se escreve para alguém, para outro que não é você,
ou, como diria o grande J. Cristo, para o próximo. O problema é que Kasparov
é mesquinho demais, egocêntrico demais para isso. Daí essa gororoba que é o
seu estilo.
Portanto, o que eu
acho é que os motivos pelos quais Kasparov contrata um escriba de aluguel
para escrever os seus livros nada têm a ver com os de Karpov e outros. São,
inclusive, opostos. Tanto assim que os seus livros são mera auto-promoção. O
Hilde poderia dizer: mas não se pode aprender alguma coisa com eles? É claro
que se pode aprender alguma coisa até lendo Hitler. Eu, por exemplo,
aprendi, ainda que tenha abandonado o "Mein Kampf" lá pela página 50, antes
que vomitasse - mesmo assim, para quem se interessa por psicopatologia, e
tem estômago, o livro é uma adega de maluquices. Mas isso não o
transforma em coisa boa...
Era só isso, amigo ,
e acabei me estendendo demais. Espero que desta vez este computador não me
traia...
Grande abraço,
Carlos,
Como já te disse, considerei esse um dos melhores emails que já li, e já
estou encaminhando aos amigos que o apreciarão muito. Só vou tentar
acrescentar algo a ele. Suas citações estão em negrito e sublinhado.
Mas, antes, uma observação: vocês
repararam a velocidade com que esses livros dele são escritos? Livros de
xadrez, em geral, principalmente uma coleção que pretende abordar TODA a
história do xadrez moderno, levam anos e anos para ser escritos. Como é,
então, que Kasparov, em meio a torneio atrás de torneio, consegue esse
milagre? Porque não é ele que escreve. Ele apenas dá o nome, para que os
livros vendam mais, com a devida cobertura da imprensa mais reacionária.
Quem escreve mesmo é um puxa-saco que ele contrata.
Carlos, isso é uma prática normal entre GMs. O maior
exemplo tb é o melhor livro que eu já li, o "Mosaico enxadrístico". Os
autores são Karpov e Guik. Tenho certeza absoluta que o Guik escreveu o
livro mas todo ele passou pela revisão e aprovação do Karpov. Outro detalhe,
creio que essa série de livros do Kasparov já estavam escritos. Claro que a
editora não iria soltá-los junto. Um espaçozinho de tempo entre eles cai
como uma luva, mesmo porque, com o preço que tem, ficaria difícil alguém
comprar toda a coleçao junta.
"Enquanto
isso, o Estado soviético proporcionava a Kasparov - além de uma
excelente educação escolar, casa, comida e roupa lavada -, o melhor
professor de xadrez do mundo, o grande Mikhail Botvinnik, dando
condições a ele de competir com o outro mais famoso aluno de Botvinnik,
Anatoli Karpov. Mais do que isso: durante o primeiro match entre os
dois, o governo soviético, intimidado pelas acusações da campanha da CIA
e mídia associada, segundo a qual estaria privilegiando Karpov,
proporcionou a Kasparov uma assistência melhor do que a que concedia a Karpov.
Ouvi sobre isso vários testemunhos quando estive na URSS."
Correto!!!!!! Isso eu já tinha ouvido falar, embora a
imprensa sionista/americana tentasse passar o contrário. Mal comparando, é
como a história do Arnaldo César Coelho quando apitava jogo do Flamengo.
Por ele ser Flamengo, e querendo mostrar imparcialidade, ele acabava
prejudicando o clube em suas partidas até chegar a ser vetado pela diretoria
rubro negra. O Kasparov teve privílégios em comparação a Karpov sim, e tem
mais
"Além disso, jogadores de origem judaica na
URSS era o que não faltava, a começar por Botvinnik, e ninguém jamais os
forçou a mudar uma vírgula do seu nome, mesmo quando eram nomes
escancaradamente judeus, tipo Bronstein, Stein, Lilienthal, Rabinovitch (em
russo: "filho de rabino"),"
Porra, não me considero um cara burro e mesmo assim eu
nunca parei pra pensar nisso. Até ler esse email eu acreditava que o
nome trocado foi devido à pressão do governo soviético. Tu foi o ponto. Como
foi permitido a judeus como Stein, Bronstein, etc... jogarem com seus
próprios nomes então ? PQP. Isso prova por A+B que essa história que vc
conta é totalmente verdade.
"O apoio de
Kasparov a Sharon, Bush et caterva é, portanto, perfeitamente coerente
com essa carreira de canalhices, que inclui, ainda, a perseguição a
desafetos, impondo que eles não participassem de torneios, sob pena
dele, Kasparov, a maior atração, não participar (Valery Sarlov, que, por
sinal, era "segundo" de Karpov no primeiro match, que o diga)"
Não se esqueça que Kasparov fez um acordo com
Campomanes, veja só Carlos, Campomanes para ele ser reeleito para a
presidência da Fide em 1994. Isso levou Karpov a dizer em um debate na
TV Russa, um dia antes das olimpíadas de xadrez de Moscow, 1994.
-" Devo reconhecer uma virtude. Você é sempre
muito convincente, embora suas palavras não tenham nada a ver com o que
você disse ontem ou o que vai dizer amanhã." Essa declaração combina
bonito com a sua..." Como muitos soviéticos, ele não entendia
o que estava acontecendo. O que era branco num dia era declarado preto
no dia seguinte."
Há ainda o detalhe que a dupla Kasparov/
Campomanes sequer convidou Botvinick para a cerimônia de abertura das
olimpíadas. Se não me engano, ele foi negado de propósito pois
Botvinick combatia o mercantilismo que o xadrez estava se encaminhando.
Sobre Salov, Carlos, esse merece um email separado. Ahh, vc se esqueceu
do Kamsky.
"Kasparov trocou de nome, abandonando o
Weinstein que era o sobrenome judeu de seu pai, porque sua mãe, aquela
jararaca histérica, o forçou a fazê-lo, depois que o pai, não agüentando
mais conviver com uma beata carpideira do anti-comunismo"
Ahahahahahahahah, jararaca histérica e beata
carpideira está ótimo, hahhahahahahahahah. Hilário mano. Concordo
contigo. Outra coisa que me abriu os olhos. Bem, mas depois disso aconteceu
essa histórinha abaixo, que retirei do site do Tim Krabee.
55. 7 March:
Garry Whodidyousaystein?
Everybody knows Garry Kasparov changed his surname from Weinstein. Nobody
knows he was Garry Bronstein first, and changed that to Weinstein. This I
gather from an interview with his first trainer, Oleg Privorodsky, at the
KasparovChess
site.
Privorodsky says: "Garry came to the House of Young Pioneers and School
Pupils at the age of seven. His mother brought him to us. It was almost
funny when I asked him about his surname. He said Weinstein, but I thought
he said Bronstein. I wrote him down as Bronstein and even told him that he
had such a great "chess" surname because there was very famous grand master
David Bronstein. Garry was shy and so he didn't correct me. For a long time
he took part in tournaments under the name of "Bronstein." I seem to
remember that after he told his mother about it she came to us at the
tournament to rectify the error. I wasn't near the tournament table, but
when I returned I discovered that surname "Bronstein" was changed to "Weinstein."
It was then that we learned his correct surname. I find it very funny that
for such a long time we all called him "Garry Bronstein" and he never
corrected us."
"E, mais: nas asas dessa mesma campanha, o Campomanes anulou o
primeiro match quando Karpov estava em vantagem e a um passo de ser mais uma
vez campeão, o que só beneficiava a Kasparov - e a mais ninguém."
Maravilha!!! O Karpov vencia o match exatamente por 5x3 quando foi
cancelado. No ano seguinte Kasparov ganhou quando recomeçou do zero, com um
número de partidas fixado em 24. O problema foi no primeiro e cancelado match.
Veja que desgraça. Na nona partida , Karpov vencia por 4x0 e e fez 5x0 na
vigésima sétima. Só precisava de mais um ponto,pois naquela época para ganhar o
match tinha que fazer 6 pontos,sem contar empates.
[Event "Ch World"]
[Site "Moscow"]
[Date "1984"]
[Round ""]
[White "Karpov Anatoly (RUS)"]
[Black "Kasparov Gary (RUS)"]
[Result "1/2-1/2"]
[Eco ""]
[Annotator ""]
[Source ""]
[SetUp "1"]
[FEN "6k1/6p1/7p/P1N5/1r3p2/7P/1b3PP1/3bR1K1 w - - 0 33"]
Brancas Rg1,Te1,Cc5,a5,f2,g2,h3
Negras Rg8,Tb4,Bb2,Bd1,f4,g7,h6
33.Rxd1 ? ( 33.a6 !!!! Rd4 { 33...Ba4 34.a7 Bc6 35.Re6 Bd5
36.Rd6 ganhando tambem} 34.Re8+ Kf7 35.a7 ganhando e a história do
xadrez
teria sido completamente diferente!!) Bd4 34.Ne6 Ba7 35.Rd7
Rb1+ 36.Kh2 Bxf2 37.Nxf4 Ra1 38.Ne6 Rxa5 39.Rxg7+ Kh8 40.Rf7 Be3 41.Kg3 Bd2
42.Rd7 Bc3 43.Kf3 Kg8 44.Nf4
Rf5 45.Ke4 Rf7 46.Rd8+ Kh7 47.Rd3 Re7+ 48.Kf3 Bb2 49.Rb3 Bc1 50.Nd5 Re5
51.Nf6+ Kg6 52.Ne4 Rf5+ 53.Ke2 Re5 54.Rb4 Re7 55.Rc4 Re8 56.g3 Bb2 57.Kf3
Re6 58.Rc5 Bd4 59.Rd5 Be5 60.Rb5 Bc7 61.Rc5 Bb6 62.Rc8 Bd4 63.Rg8+ Bg7 64.h4
Ra6 65.Kf4 Ra5 66.Re8 Rf5+ 67.Ke3 Re5 68.Rg8 Re7 69.Kf4 Rf7+ 70.Kg4 h5+
71.Kh3 1/2-1/2
Que sacanagem, o Karpov poderia ter ganho de 6x0.
Bem, a do Salov fico te devendo e repetindo, parabéns. Tu mostrou que é o
picudo com relação a conhecimentos de xadrez. Tivesse a lista da academia
mais um ou 2 iguais a vc em vez de uns saprófitas imbecis como Parma/Ricardo
e Fabio David Cortes, e galinhas mortas como Marcelo Alves e Danielle (
esses 2 últimos são da diretoria da academia, hehe, até parece que são
participantes do grupo, ao invés de voyeurs de lista) eu não teria saído de
lá.
Assunto: [Leveymate] O retrato do canalha ou Algumas questões
da história do xadrez
Pedro e outros
amigos, deixa eu entrar um pouco nesse assunto do Kasparov. Esse livro sobre
Fischer exatamente no momento em que este está preso,sob ameaça da quadrilha
da Casa Branca, com todas as propriedades, inclusive direitos autorais,
confiscados pelo Estado norte-americano, e exatamente por ter rompido com um
bloqueio criminoso, com um cerco de assaltantes e piratas à Iugoslávia,
supera, talvez, as indignidades anteriores dele. Por isso, redigi um texto
um pouco longo para um e-mail.
Mas, antes, uma
observação: vocês repararam a velocidade com que esses livros dele são
escritos? Livros de xadrez, em geral, principalmente uma coleção que
pretende abordar TODA a história do xadrez moderno, levam anos e anos para
ser escritos. Como é, então, que Kasparov, em meio a torneio atrás de
torneio, consegue esse milagre? Porque não é ele que escreve. Ele apenas dá
o nome, para que os livros vendam mais, com a devida cobertura da imprensa
mais reacionária. Quem escreve mesmo é um puxa-saco que ele contrata.
Como isso é muito escandaloso, para se proteger ele colocou o nome do
puxa-saco no livro, caso contrário ia aparecer alguém denunciando a fraude.
Porém, isso não muda a natureza da questão, a de que não é ele que escreve.
Aliás, quanto ao primeiro volume, ele nem reviu as análises, daí os furos
que muito gente achou nelas, em especial nas partidas de Steinitz. Um
integrante da trupe de Kasparov tentou defendê-lo com o suposto argumento de
que esses furos só foram descobertos com o uso de programas de computador,
em especial do Fritz. Mas isso só agrava o problema: quer dizer apenas que
na pressa por faturar uns dólares nem botar essas análises no
computador eles botaram antes de publicá-las. E logo Kasparov, que vive se
gabando das "4 mil variantes" (sic) que tem arquivadas no seu computador...
Bem, a primeira vez
que ouvi falar em Kasparov foi num artigo do teatrólogo Fernando Arrabal.
Não me lembro mais em que ano foi. Arrabal, um expoente daquela coisa
horrorosa chamada "teatro do absurdo", era um daqueles caras que na época em
que o mundo estava cheio de ditaduras tirava onda de "esquerda" (aqui no
Brasil, em outro campo, o Fernando Henrique fazia a mesma coisa).
Interessante é que em plena ditadura de Franco - um psicopata, assassino
e nazista -, Arrabal vivia muito bem na Espanha, enquanto intelectuais de
muito maior valor estavam na cadeia, ou no exílio, ou eram assassinados. Ser
"de esquerda" desse jeito é ótimo. Não vou me estender aqui sobre o fato
(apontado na época por, entre outros, Luiz Carlos Maciel) de que o teatro do
Arrabal era apenas um plágio pessimamente executado de Kafka. Quem leu Kafka
e depois viu "O arquiteto e o imperador da Assíria" ou "Cemitério de
automóveis" sabe que isso é verdade. O importante, aqui, é que Arrabal era
um anti-comunista fanático, assim como o fundador do tal "teatro do
absurdo", um renegado romeno de nome Eugene Ionesco (um dos truques desses
dois foi incluir Beckett, escritor chato, porém sério, no tal "teatro do
absurdo" - era assim, emprestando a respeitabilidade alheia, que eles
agiam).
Arrabal era metido a
enxadrista e editou uma revista sobre xadrez. No artigo que mencionei acima,
ele dizia que havia surgido um jovem na URSS que era um verdadeiro prodígio,
mas que era judeu, e que o governo soviético e os comunistas soviéticos, por
anti-semitismo, haviam forçado ele a mudar de nome, abandonando o nome judeu
para adotar o nome russo de Kasparov. Em seguida, Arrabal lançou uma
campanha internacional para defender o pobre rapaz judeu, oprimido por
aqueles comunistas anti-semitas. Logo em seguida, passou a dizer que o
objetivo dos soviéticos era privilegiar Karpov que, na época, era membro do
PCUS e, inclusive, deputado eleito para o Soviete Supremo (o parlamento da
URSS), impedindo o judeu de vencer o russo, certamente um jogador inferior,
pois, como é sabido, os comunistas só ganham roubando... (Ele não se atrevia
a dizer isso, até porque não seria nada eficiente, mas é evidente que era o
que estava implícito, e o que ele queria passar, com essa invenção de uma
suposta perseguição e injustiça para salvar Karpov da derrota).
Hoje, sabemos que
nada disso era verdade. Kasparov trocou de nome, abandonando o Weinstein que
era o sobrenome judeu de seu pai, porque sua mãe, aquela jararaca histérica,
o forçou a fazê-lo, depois que o pai, não agüentando mais conviver com
uma beata carpideira do anti-comunismo, se separou, coisa pela qual ela - e
o filhinho da mamãe - jamais o perdoaram. Além disso, jogadores de origem
judaica na URSS era o que não faltava, a começar por Botvinnik, e ninguém
jamais os forçou a mudar uma vírgula do seu nome, mesmo quando eram nomes
escancaradamente judeus, tipo Bronstein, Stein, Lilienthal, Rabinovitch (em
russo: "filho de rabino"), etc. Mas foi nas asas imundas dessa infâmia,
QUE KASPAROV JAMAIS DESMENTIU, embora soubesse perfeitamente que era uma
infâmia, que ele foi promovido em todo o mundo, e que Karpov foi
estigmatizado.
Enquanto isso, o
Estado soviético proporcionava a Kasparov - além de uma excelente educação
escolar, casa, comida e roupa lavada -, o melhor professor de xadrez do
mundo, o grande Mikhail Botvinnik, dando condições a ele de competir com o
outro mais famoso aluno de Botvinnik, Anatoli Karpov. Mais do que isso:
durante o primeiro match entre os dois, o governo soviético, intimidado
pelas acusações da campanha da CIA e mídia associada, segundo a qual estaria
privilegiando Karpov, proporcionou a Kasparov uma assistência melhor do que
a que concedia a Karpov. Ouvi sobre isso vários testemunhos quando estive na
URSS.
E, mais: nas asas
dessa mesma campanha, o Campomanes anulou o primeiro match quando Karpov
estava em vantagem e a um passo de ser mais uma vez campeão, o que só
beneficiava a Kasparov - e a mais ninguém. Com isso, a FIDE se assumia
abertamente como um instrumento da guerra-fria do lado americano, coisa que
se ensaiava desde o cancelamento do direito de revanche de Botvinnik, no
início da década de 60, e tinha avançado com as mudanças na seleção do
desafiante de Spassky, exigidas pelos americanos para que Fischer
concordasse em disputar o título. Com a última chicana, essa para salvar
Kasparov de uma bem possível derrota - fazendo exatamente aquilo de que
acusavam os soviéticos em relação a Karpov - a FIDE se avacalhou de vez,
perdendo qualquer autoridade moral, que, afinal, é o que sustenta qualquer
associação voluntária, como o são as entidades, sejam as de xadrez ou as de
moradores de bairro. E foi exatamente essa perda de autoridade moral que
permitiu que anos depois Kasparov retribuísse essa proteção ignominiosa
(vale dizer, esse assalto às regras pré-estabelecidas) com uma punhalada nas
costas da FIDE, rachando o xadrez mundial, que permanece desse jeito
invertebrado até hoje... E o motivo verdadeiro (aliás, até explícito) do
racha não foi qualquer reivindicação pela melhoria das condições de
competição, mas unicamente dinheiro, dólar, e não para todo mundo, mas para
o bolso de Kasparov e apaniguados.
[É interessante
notar que se Fischer, em qualquer momento após o torneio de Portoroz,
resolvesse articular uma federação paralela à FIDE, reunindo os jogadores
ocidentais, teria tido pleno apoio do establishment americano e, sem dúvida,
teria tido sucesso em romper a unidade mundial do xadrez de competição.
Falando francamente, eu acho que até os iugoslavos, segunda potência
enxadrística do mundo na época, seriam fortemente tentados a aderir a essa
hipotética associação paralela. No entanto, essa idéia (que sem dúvida
renderia uma grana preta) nunca passou pela cabeça de Fischer, o que fala a
favor do seu caráter. Ele exigia bons prêmios, no que fazia muito bem, mas
gostava mais de xadrez do que de dinheiro. Mas, sobre Fischer, deixarei para
outro e-mail].
O apoio de Kasparov
a Sharon, Bush et caterva é, portanto, perfeitamente coerente com essa
carreira de canalhices, que inclui, ainda, a perseguição a desafetos,
impondo que eles não participassem de torneios, sob pena dele, Kasparov, a
maior atração, não participar (Valery Sarlov, que, por sinal, era "segundo"
de Karpov no primeiro match, que o diga), e inclui, também, matches
suspeitíssimos contra programas de computador, sempre sobre o bordão da
"luta do homem vs. máquina", como se os computadores e os seus programas não
fossem, precisamente, uma criação humana.
No meio dessa
confusão, Karpov, que nunca foi nenhuma fortaleza ideológica, mas era, e é,
um bom sujeito, além de ser um jogador muito mais importante para a história
do xadrez do que Kasparov, se quebrou. Como muitos soviéticos, ele não
entendia o que estava acontecendo. O que era branco num dia era declarado
preto no dia seguinte. Em que acreditar, então? E isso acontecia no justo
momento em que a idade cobrava dele, Karpov, o seu preço. Então, é isso que
o Pedro disse: o problema de Karpov foi que, como a maior parte da liderança
soviética, acrescento eu, era boa gente, mas era um vacilão. Agüentou
calado, sem reagir, uma difamação estúpida e ininterrupta, promovida pelo
gigantesco aparato de mídia da reação em todos os lugares do mundo
(inclusive na URSS, onde, ao contrário da lenda, a imprensa tinha uma
liberdade tão grande que acabou facilitando os americanos a alugar escribas
e órgãos de comunicação inteiros). Uma coisa nojenta, mentirosa, falsária,
emitida de forma impiedosa e caudalosa. Na verdade, como a maior parte
dos soviéticos, ele não agüentou calado. Ele simplesmente não adoentou. Karpov se
quebrou, ou melhor, foi quebrado, o que conduziu aos resultados dos matches
posteriores contra Kasparov (evidentemente este não foi o único fator nessas
derrotas de Karpov, o que estou dizendo é que este foi o fator fundamental,
ou seja, a base ideológica de fundo, que arrasou com o seu moral durante
essas disputas, não o único fator).
Por último, o que
representa Kasparov, do ponto de vista histórico, para o xadrez? O triunfo
do mercantilismo, do comércio, do mercenarismo - em suma, como dizia o Lenin,
o triunfo momentâneo da reação, ou seja, da contra-revolução, a perversão no
lugar da política, o dólar no lugar da moral e a submissão no lugar da
altivez. Mas isso passa. Principalmente depois do Iraque. Não é à toa que
Kasparov foi e é a favor do assassinato em massa do povo iraquiano, assim
como dos palestinos, e ainda propôs o bombardeio da Síria. É que cada ato de
resistência, cada soldado invasor que dá com os costados no Inferno, cada
homem, mulher ou, até mesmo, criança que não se submete e vai à luta, é um
prego no caixão dessa canalhada a qual ele serve.
Clube de Xadrez Virtual 28 de abril de 2005.
por Pedro Alcântara
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