Entrevistado : José Izaias C. Silva ( Sócio nº 69 do CXV)

Entrevistadores: Luciano Rigolin e Herley Guimarães

Em: Outubro/2002.

O entrevistado do mês de Outubro/2002 é sócio José Izaias C. Silva. Ocupando a posição 21 no ultimo Ranking divulgado, com 41 vitórias, 7 empates e 20 derrotas, Izaias exerce uma das mais importantes funções dentro da Diretoria do CXV, aquela que é a primeira visão do novo associado em relação ao clube: os Tutoriais. E como ele deixa claro na entrevista, pretende continuar por muito tempo exercendo essa função, mostrando todo o seu entusiasmo com o CXV.

Um fato curioso, Izaias nasceu na mesma cidade de Antônio Fagundes, nosso primeiro entrevistado. Ambos são de Palmeira das Missões - RS.

1. Fale um pouco de você: hobby, profissão, idade, onde mora, quanto tempo joga xadrez e como começou, etc.?

     Sou filho de agricultor (família pobre) do interior do Rio Grande do Sul. Nasci em 28/06/1953 em Palmeira das Missões - RS, de onde saí em 1972 depois de terminar o curso ginasial agrícola, indo para Porto Alegre (todo o gaúcho do interior tem que ir morar na capital em algum momento de sua vida). Cheguei a estudar pra padre num seminário perto de Caxias do Sul, mas os padres disseram que eu não tinha vocação para sacerdote. Aí então fui trabalhar e estudar na capital. Dois anos depois, meu vai vendeu sua "colônia" lá em Palmeira, indo morar numa chácara em Curitiba. No fim de 74 eu também me mudei pra capital paranaense onde, através de concurso ingressei na PETROBRAS (Refinaria de Araucária) em 1976. Araucária é uma cidade que faz parte da grande Curitiba. Fiz carreira nessa empresa, tive a oportunidade de conhecer outras unidades da PETROBRAS pelo Brasil afora, bem como terminais marítimos e até navios petroleiros, uma coisa fantástica... até que me aposentei em 1997. Como me aposentei relativamente novo (44 anos), pra não morrer de tédio (não gosto de pescar), resolvi montar um comércio no ramo de papelaria e informática, apenas para "passar tempo" e, naturalmente ganhar um "cascalhozinho" a mais... Aí entra o xadrez, ou melhor, o xadrez ganha mais valor para mim, já que me sobra mais tempo para praticá-lo. Aprendi a jogar com o diretor do ginásio agrícola de Palmeira das Missões em 1969. Desde então, sempre que possível procurei praticar esse inestimável jogo. Mas sempre foi difícil encontrar adversários, até que surgiram os jogos por computador e depois a Internet. Então já não faltavam adversários. Mas o bom mesmo passou a ser com o advento do xadrez por e-mail, pois o adversário já não era mais uma máquina (quase sempre imbatível, por mim). Também sou sócio do Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro (CXEB), desde 1988 onde sempre participei dos torneios regulares do clube, mas como é um jogo por carta, as partidas são muito demoradas. O CXV é mais dinâmico.


 2. Como é a sua história no CXV?

      Não lembro direito como foi o começo. Só sei que joguei uma partida amistosa com o Sílvio Teixeira, que era membro do CXV, e ele me convidou para participar de um torneio me informando que já havia encaminhado meu nome para registro com Herley. Assim me tornei sócio em 04/12/99 e então participei do R-005 meu primeiro torneio no CXV. Algum tempo depois, o Herley me convidou para colaborar com o clube, o que aceitei com muita satisfação. Aí comecei a gostar do CXV, e percebi que vale a pena dedicar um pouco mais de tempo e ter a satisfação de ver os resultados positivos alcançados. A menos que algo muito ruim aconteça, não pretendo me afastar do CXV tão cedo.


 3. Você executa uma tarefa-chave no clube: as Partidas Tutorias. Como você define a importância delas para os iniciantes no xadrez postal? E quais são os principais problemas que os iniciantes encontram ao se depararem com o xadrez postal?

     É uma questão de padronização. Se quisermos um clube organizado, não se pode prescindir de um mínimo de regras e padrões na transmissão dos lances. A maioria dos iniciantes (os que não desistem), em geral tem dificuldade de entender o controle de tempo de resposta (TR). Mas essa informação tem se mostrado muito importante e imprescindível, pois se bem usada, evita que as partidas acabem indo à adjudicação.


 4. Além do seu trabalho como Diretor o que mais motiva a participar do CXV? Aprender, praticar ou competir, etc?

      Além de um hobby, o CXV passou a ser um "vício" para mim. Não se pode viver sem ele. Assim, se aprende, se pratica e se diverte com o nobre jogo dentro do CXV além de "conhecermos" gente de todo o mundo e podermos trocar idéias sobre outros assuntos.


 5. 5. Fale um pouco como você faz para analisar os lances das partidas por e-mail. Quais ferramentas (aplicativos) utiliza?

      Antigamente quando eu jogava apenas por carta (CXEB) eu montava "na unha" as peças num tabuleiro grande que tenho em casa. Mas com o advento dos computadores, a "coisa" ficou facilitada com a infinidade de softwares de controle e banco de dados de xadrez que surgiram. Acostumei-me com o Chessbaselight que além de ser grátis, permite armazenar as partidas no formato PGN, facilitando inserir a partida num documento do Word, por exemplo. Após feita a análise do lance, salvo e transcrevo no replied do Outlook o lance que defini como resposta ao meu adversário.


 6. Como efetua os estudos de xadrez?

      Praticamente não estudo o xadrez propriamente dito, pois não tenho a pretensão de chegar a ser um mestre nacional (bem que gostaria). Mas sempre que posso ou sempre que surge alguma literatura sobre xadrez, não dispenso sua leitura. Gosto também de ler artigos em sites especializados na área de xadrez na internet.


 7. Gosta de jogar xadrez on-line também?

      Tentei isso algumas vezes, mas me decepcionei um pouco, pois além de respostas demoradas, freqüentemente cai a conexão. Talvez com banda larga ou ADSL isso não ocorra. Como ainda estou com a conexão discada, mais me incomodo do que me divirto com os jogos on-line, então, raramente tento.


 8. Qual o melhor enxadrista de todos os tempos na sua opinião?

      Não saberia dizer qual o melhor porque não sou estudioso de cada enxadrista. Apenas "conheço" os destaques nacionais e mundiais. Eu faria uma associação assim: Mundo - Karpov; Brasil - Jaime Sunye; CXV - Maurício do Prado.


9. O próprio GM Kramnik admite que analisa posições/partidas antigas com a ajuda de seu computador. O que você acha do uso de computadores na prática do xadrez?

É inegável a influência que a máquina tem na prática do xadrez. Qualquer jogador tem acesso a programas de xadrez e provavelmente usa-os para aprender ou para se divertir, afinal o programa de computador para jogar xadrez normalmente é um adversário forte, com rating acima de 2000. Quem tem um computador para jogar xadrez nunca fica sem adversário. No jogo por e-mail, ou EU jogo contra meus adversários num determinado torneio ou meus adversários jogam contra a minha máquina e vice-versa. Não se pode saber se o adversário está usando uma máquina... mas, e a satisfação da vitória, é pessoal ou é da máquina? Quem usa o computador para analisar jogadas e achar as melhores respostas, provavelmente ganhará a partida sempre (a máquina ganhará).

10. Para finalizar faça uma breve analise do CXV.

Até hoje não vi nada parecido na Internet com o CXV. Recebi um sem número de convites para me associar a clubes de xadrez pela Internet, tentei alguns, mas, todos perdem em organização e praticidade para o CXV. Admiro a dedicação e competência dos membros da diretoria que, sem remuneração alguma, dispõem parte de seu precioso tempo para manter e aperfeiçoar o site do CXV. O CXV_Grupos é como se fosse a sede do clube onde se reúnem diretores, sócios e visitantes. Nele podemos acompanhar as discussões e as decisões da diretoria, as trocas de informações bem humoradas, divertidas, engraçadas e às vezes até nervosas ou sérias demais. Em fim, é uma comunidade itinerante que descontrai nosso dia-a-dia.