Recortes de Jornais    

 

 

Ecos de Belgrado

 

     O mais novo e ressonante êxito do campeão mundial Garry Kasparov (26 anos apenas!) está levando os cronistas e aficionados do jogo ao delírio. Não somente o flamante super GM bateu o recorde de Fischer (quanto ao rating máximo alcançado por um jogador  - 2.780 pontos  "ELO"), como em poucos dias já o elevou para novas marcas, tidas por quase todos os observadores como exclusivas do gênio soviético. Com o resultado de Belgrado, Garry atingirá a astronômica cifra de 2.880 pontos, distanciando-se de seu arqui e praticamente único rival - Anatoly Karpov - por cerca de 60 pontos. Para se ter idéia de seu empuxe, em meados do ano, a diferença entre ambos se restringia a meros 25 pontos  (2.775 a 2.750), quando Karpov, especialmente motivado, conseguiu aprimorar seu desempenho e atingir seu melhor rendimento ELO numa temporada, após uma carreira de mais de 20 anos! No entanto, a exuberante forma esportiva e criativa do campeão o credenciam a criar e ocupar uma classificação especialíssima no ranking internacional: o super nº 1! Algumas observações para justificar tal proposta são fáceis de indicar. Por exemplo, seus resultados diretos em torneios contra alguns dos melhores jogadores do mundo são simplesmente inacreditáveis. Assim, ante o inglês Nigel Short, 5º do rating, Kasparov acumulou nada menos de 7 vitórias seguidas em 7 partidas! Nada menos de 7 a 0! O seu escore histórico contra rivais freqüentes, como Ljbojevic, Belyavsky, Hubner, Timman, Hartharson, Elvest, Anderson, Nunn, exibe números padronizados em torno de 5 a 9 vitórias e 3 a 4 empates, "por cabeça", nos últimos anos, sem padecer uma única derrota. Contra os novíssimos valores de seu país - a geração pós-Kasparov -, ele também se mostra implacável: contra Ivanchuk - 20 anos, 3º do ranking mundial - 2 vitórias e 2 empates; contra Salov - 24 anos, 4º do mundo - o mesmo resultado! E ante o "velho" Korchnov, 4 vitórias de 2 empates, em 6 confrontos.

 

     A "super forma" do campeão, exibida em suas duas apresentações mais recentes - Tilburg e Belgrado - parece resultar do esperado amadurecimento de seu estilo, inclusive com uma apavorante (para seus futuros oponentes) tendência à universalização e seu afastamento da linha de frente da ação política contra o presidente da FIDE, Florencio Campomanes. Com isso, não apenas sua energia é dirigida para a criação e condicionamento esportivo, como sua agenda tem lhe permitido envolver-se com promoções variadas e, às vezes, incomuns para um presumivelmente bem comportado campeão mundial de xadrez, com a original entrevista que Kasparov concedeu a revista mundialmente conhecida Playboy (!!), edição americana de novembro passado, na qual revela muitas de suas idéias sobre questões complexas da atualidade. Duas delas são extraordinárias: Kasparov acredita que seu país deveria vender ao Japão uma ilha pivô de um histórico conflito no oriente, bem como definir um acordo econômico com as potências ocidentais a fim de concluir a reintegração ou mesmo a reunificação da Alemanha Oriental. Com o dinheiro arrecadado, a "Perestroika" ganharia um novo impulso e o povo seria mais prontamente atendido em suas reinvidicações! Onde irá parar Kasparov, dentro e fora do tabuleiro?

 

 


INTERINO: luiz loureiro

 

DIAGRAMA  605

 

A.A. Troitski, 1909

 

 

BRANCAS JOGAM E GANHAM


 

 

 

 

Jornal do Brasil 11 de dezembro de 1989.

por Iluska Simonsen