|

O GM Rafael Leitão
comenta
on line
o Match Karpov - Vescovi
CXV: Acompanhou o match entre Vladimir Kramnik e o Deep Fritz 10?
Rafael Leitão: Não, só a partida em que ele levou o mate em um. As outras eu não acompanhei porque estava jogando o torneio aqui.
CXV: O que achou do 73º Campeonato Brasileiro de Xadrez?
Rafael Leitão: Foi muito forte, foi bem disputado até o final. Acho que foi bastante interessante para quem acompanhou pela internet. E no final de a lógica, ficaram dos três grandes mestres entre os três primeiros e aí, acredito que a ordem poderia ser qualquer uma. E, no final, acabou o Giovanni ganhando, ele foi muito bem o torneio, teve ali alguns momentos difíceis, mas conseguiu boas vitórias. E eu tive um torneio mais estável, mas eu empatei muitas partidas, então não deu para conseguir ficar em primeiro.
CXV: Você tem sido sempre apontado como favorito nos torneios em que participa. O que tem sido fundamental em sua preparação em torneios?
Rafael Leitão: Na verdade não tenho me preparado muito, mas eu tenho jogado muitos torneios, então essa é uma maneira de manter a forma. No segundo semestre eu joguei bastante, mas preparação específica eu não fiz nenhuma. Eu já estudei muito xadrez na minha vida, conheço bem os clássicos, que eu acho que é uma das grandes deficiências dos jogadores aqui no Brasil, e aí eu fui jogando já com a experiência que eu adquiri.
CXV: No Campeonato Brasileiro, qual foi a sua partida de que mais gostou?
Rafael Leitão: No brasileiro... Acho que a minha melhor partida foi contra o Diamant. Foi a partida de eu mais gostei. Eu joguei bem posicionalmente, é a típica partida em que reflete o meu estilo atualmente.
CXV: E qual foi a sua partida mais difícil?
Rafael Leitão: Olha, eu não cheguei a ficar inferior em nenhuma partida. A minha partida mais difícil foi provavelmente de pretas contra o Giovanni. Pelo adversário que ele é, consegui neutralizá-lo e empatar sem grandes problemas.
CXV: Foi surpreendido em alguma dessas partidas?
Rafael Leitão: Bom, na verdade você faz o planejamento e eu imaginava que o campeão seria aquele ganhasse de mais jogadores no final da tabela, que estavam fora de forma. Então teve algumas que talvez eu não... uma partida que eu joguei mal contra o Limp, em que eu tinha as peças brancas, quer era uma partida fundamental e que eu tinha que vencer. No final esses pontos vão fazendo muita diferença. Também não dá para ganhar todas as partidas que a gente quer, não é? Não dá para reclamar não. Eu não tive nenhuma chance nessa partida.
CXV: Qual foi a sua impressão do match entre o campeão brasileiro e Anatoly Karpov?
Rafael Leitão: Foi um match muito interessante. As quatro partidas foram bem instrutivas. Teve um embate interessante aí na Caro Kann. Foi legal que ambas as partidas eles repetiram a abertura, foi bem legal para ver o trabalho que eles fazem, esse trabalho de aberturas. Especialmente as partidas da Caro Kann foram interessantes do ponto de vista teórico e o nível técnico das partidas foram excelentes.

CXV: Acompanhou o match Kramnik – Deep Fritz 10?
Rafael Leitão: Não, não. Eu só acompanhei o mate que Kramnik tomou e achei lamentável.
CXV: Tem achado significativa a evolução dos programas de xadrez?
Rafael Leitão: A cada ano que passa os programas estão jogando melhor. Mas acho que ainda está longe o dia em que eles vão jogar perfeitamente xadrez. Mesmo que esse dia chegar e houver um controle de aparatos eletrônicos durante as partidas, é impossível que alguém jogue como a máquina mesmo sabendo que a máquina jogue todos os melhores lances. O xadrez vai perdurar ainda por muito tempo.
CXV: Já jogou postal?
Rafael Leitão: Já, o problema do computador reflete mais no xadrez postal. Porque atualmente é um embate de quem usa melhor o computador, de quem se auxilia melhor das análises do computador. Se um dia o computador jogar de forma quase perfeita, vai ser muito difícil. Eu costumava jogar não postal, mas entrava num site em que tinha alguns dias para fazer o lance e era bem interessante porque você aprende a lidar com as idéias do computador e moldá-las para o que a posição pede.
CXV: O resultado do match Kramnik – Deep Fritz 10 te surpreendeu?
Rafael Leitão: Não. Para mim estava claro que Kramnik ia perder esse match.
CXV: Tem algum torneio que gostaria de ganhar em 2007?
Rafael Leitão: Não, eu estou bem tranqüilo. Não tenho muitas ambições, só quero continuar jogando, manter meu bom nível de jogo, mas realmente não estou pensando em ganhar muitos torneios, conservar o meu rating, se possível subir um pouco e jogar boas partidas.
Confira nos links abaixo.
Partidas do match. PGN.
Anatoly Karpov - Giovanni Vescovi - Rafael Leitão
|